
Minha abordagem clínica se orienta principalmente por:
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Respeito à singularidade e ao tempo próprio de cada pessoa;
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Recusa de práticas normalizadoras que desconsideram a experiência vivida;
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Atenção ao corpo como lugar central da subjetividade;
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Escuta ética, sem promessas de soluções rápidas;
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Articulação contínua entre clínica, pesquisa e escrita.
Abordagem
Minha abordagem clínica e de pesquisa se constrói a partir da escuta da subjetividade e da atenção à experiência vivida. Isso significa compreender o sofrimento, o desenvolvimento e os modos de existir não como desvios a serem corrigidos, mas como expressões singulares de um corpo em relação com o mundo. Trabalho a partir da psicanálise e da fenomenologia do corpo, sustentando uma prática que reconhece o tempo próprio, os limites e a história encarnada de cada pessoa. Essa perspectiva recusa a redução da experiência humana a protocolos, listas de sintomas ou respostas padronizadas, reconhecendo que toda forma de cuidado exige presença, escuta e elaboração.
Escuta como eixo ético
No centro do meu trabalho está a escuta, não como técnica, mas como posição ética. Escutar implica suspender respostas prontas, respeitar o ritmo do outro e permitir que a experiência encontre palavras, gestos ou silêncios possíveis. A subjetividade não é algo dado de antemão, mas algo que se constrói no tempo, nas relações e nas condições concretas de existência. Por isso, a clínica não pode operar pela urgência da normalização ou da adaptação forçada, sem considerar os efeitos psíquicos e corporais dessas exigências.
Corpo e experiência viva
A fenomenologia do corpo orienta meu modo de compreender a experiência humana como sempre encarnada. O corpo não é apenas suporte biológico, mas lugar de percepção, afeto, memória e sentido. Sensações, emoções, gestos, ritmos e modos de presença são elementos centrais da escuta clínica. Muitas vezes, o sofrimento se manifesta antes no corpo do que na linguagem, exigindo uma atenção que vá além da interpretação verbal imediata. Essa compreensão atravessa especialmente meu trabalho com pessoas que vivem experiências de diferença, sejam elas sensoriais, emocionais, relacionais ou cognitivas, e que frequentemente foram submetidas a leituras normativas de si mesmas.
Psicanálise como espaço de elaboração
A psicanálise, em diálogo com a fenomenologia, sustenta uma clínica voltada à elaboração da experiência e à construção de sentido, e não à correção de comportamentos ou à adaptação a ideais externos de funcionamento. Trata-se de um trabalho que considera a história subjetiva, os vínculos primários, os modos de relação com o outro e com o mundo, reconhecendo que cada percurso psíquico se organiza de maneira singular. Não opero com modelos universais de saúde ou desenvolvimento, mas com a escuta atenta do que se apresenta em cada encontro clínico.
Clínica, pesquisa e escrita
Minha prática clínica está intrinsecamente ligada à pesquisa e à escrita. O que emerge na clínica interroga o pensamento; o que se elabora na pesquisa encontra forma na escrita; e a escrita, por sua vez, devolve novas questões à clínica. Esses campos não funcionam como áreas separadas, mas como dimensões de um mesmo gesto ético: sustentar a complexidade da experiência humana sem reduzi-la, mesmo quando isso exige tempo, silêncio e incerteza.
Compreendo o sofrimento psíquico não como falha individual, mas como expressão de desorganizações do campo corporal, emocional, relacional e ambiental. Por isso, o trabalho clínico que realizo busca sustentar processos de escuta, reconhecimento e autorregulação, respeitando o tempo e os limites de cada percurso.
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Além da prática clínica, sou diretora clínica e de pesquisa do Instituto Eu no Mundo, onde desenvolvo projetos educacionais e formativos voltados à Neurodiversidade e à inclusão.